sábado, 15 de maio de 2010

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No Dia de Luta contra o racismo vereador apresenta projeto em Niterói


No dia 11 de maio, para comemorar o Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo, o vereador Felipe Peixoto apresentou Indicação Legislativa de valorização da História e Cultura Afro-brasileira. 
Foto: Divulgação
No dia 13 de maio é comemorado, pelo Movimento Social Negro, o Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo. Momento de luta, protesto e reivindicações. Além disso, é uma oportunidade para lembrar que os descendentes de africanos não participam igualitariamente na sociedade brasileira, uma vez que ainda há preconceito e discriminação racial manifestados pelo racismo contra negros e negras. 

Em 13 de maio de 1888 a Lei Áurea libertou os escravos em nosso país, porém mesmo 122 anos depois há apenas o mito da democracia racial. Se observarmos a fundo veremos que a histórica desigualdade existente entre negros, brancos, amarelos e vermelhos está aqui, no nosso dia-a-dia, apesar de muitos negarem. Houve alguns avanços, como a implantação de políticas afirmativas, a exemplo das cotas para afrodescendentes em universidades, porém dados do IPEA dão conta de que “o quadro de desigualdade racial... revela o drama da marginalização econômica e da injustiça social que afeta os afro-descendentes no Brasil.” 

Na perspectiva da ampliação contínua do igual gozo e exercício de direitos humanos e liberdades fundamentais devemos negar toda e qualquer forma de discriminação e preconceito, cobrando ações que venham verdadeiramente resgatar a dignidade, o respeito e a igualdade de oportunidades em todas as esferas da sociedade. Em Niterói, o mandato do vereador Felipe Peixoto (PDT) tem sido um importante aliado contra o racismo e pela adoção de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial. “Nossa proposta é utilizar o mandato legislativo para promover a igualdade e a proteção dos direitos de indivíduos e grupos raciais e étnicos afetados pela discriminação e demais formas de intolerância”, acredita Felipe. 

Ações pró-igualdade 
Neste 13 de maio Felipe reafirma seu compromisso com a construção de uma política de governo voltada aos interesses reais da população negra e de outros segmentos étnicos discriminados. Para isso, dia 11 de maio, Felipe Peixoto apresentou a Indicação Legislativa no 790/2010 , solicitando à Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria de Educação, que promova a adequação da grade curricular do Ensino Fundamental no sentido de se aplicar a Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Africana. Para Felipe a importância de se cumprir a referida Lei se dá na medida em que, ao se abordar nas escolas assuntos como a luta do negro no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, pode-se aumentar a auto-estima dos afro-descendentes, através da valorização de seu papel nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil. “Essa nova perspectiva histórica faz um contraponto às teorias racistas que, por séculos, pautaram a educação formal, através da qual pretendia-se, por meio de estudos pseudo-científicos, mostrar a inferioridade do negro”, afirma Felipe. 

Outro projeto de Lei apresentado por Felipe Peixoto foi o PL no 149/2009, que tem como objetivo mudar os dispositivos da Lei que criou o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR), para alterar a composição e forma de escolha dos Conselheiros do colegiado. Para tal, levou em conta proposta aprovada em Plenária das Entidades Governamentais e Não-governamentais que atuam na área de promoção da igualdade racial, com mais de 40 (quarenta) representações institucionais, realizada no dia 19/04/07, no Auditório da Prefeitura, e que gerou o processo nº 130/000203/2007. 

Em novembro do ano passado, por solicitação de integrantes do Movimento Negro do PDT, Felipe Peixoto apresentou a Indicação Legislativa no 1899/2009, solicitando ao Poder Executivo Municipal a nomeação de Titular para assumir a Coordenação de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (CEPPIR), criada pelo Decreto nº 9.798 de 30 de março de 2006. Felipe apresentou, ainda, a Indicação Legislativa no 1900/2009 , que pede ao Prefeito a convocação do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR), criado pela Lei nº 2.111 de 19 de novembro de 2003, e a indicação dos representantes governamentais que irão integrar o referido órgão colegiado. Segundo o vereador, todas essas iniciativas têm como objetivo ajudar a consolidar o caminho para a construção de uma luta anti-racista sólida e contribuir para uma efetiva promoção da igualdade racial em nosso país. “Estas são medidas que vão garantir uma melhoria na qualidade de vida da população negra e a valorização de sua cultura no nosso país. O objetivo de nosso mandato é criar em Niterói uma legislação que possa possibilitar formar uma nova consciência, principalmente entre nossas crianças e jovens, sobre a presença e o papel do negro na formação do Estado brasileiro”, conclui Felipe Peixoto.


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domingo, 2 de maio de 2010

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Petrobrás assina contrato para o COMPERJ


No úlitmo dia 28 de abril a Petrobrás, através de sua subsidiária integral Comperj Participações S.A, assinou contrato com a SMU Energia e Serviços de Utilidades Ltda, para a criação de uma nova empresa, que terá a denominação de Companhia de Desenvolvimento de Plantas de utilidades - CDPU, que terá entre seus objetivos analisar a execução do projeto Central de Utilidades do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro - Comperj.

Esta nova empresa terá 20% de participação da Comperj Participações S.A. e 80% da SMU, empresa brasileira com participação da Sembcorp Utilities PTE Ltd (Cingapura), através de sua subsidiária integral Sembcorp Utilities (BVI) Pte ltd, Mitsui & Co. Ltd. (Japão) e Utilitas Participações S.A. (Brasil)

Segundo a Petrobrás, o projeto da Central de Utilidades compreenderá as unidades de fornecimento de energia elétrica, fornecimento de vapor, tratamento de água e afluentes e fornecimento de hidrogênio para o Comperj.

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sexta-feira, 19 de março de 2010

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Prefeito de Casimiro de Abreu pede apoio dos servidores na luta em favor dos royalties

Antonio Marcos aproveitou a reunião, que contou com a participação de mais de dois mil servidores, para prestar contas do primeiro ano de mandato

Com o objetivo de orientar os servidores em relação à possível redivisão dos royalties do petróleo entre os 27 estados e a partilha do pré-sal, o prefeito de Casimiro de Abreu, Antonio Marcos, reuniu nesta quinta-feira, dia 18, mais de dois mil servidores públicos na quadra da Fundação da Infância e da Adolescência (FIA). “Estamos muito preocupados com o momento e quero pedir a todos que ajudem a esclarecer as pessoas que não sabem o que está acontecendo. Nosso Estado e nosso município podem falir caso a redistribuição se concretize. O município é nosso e essa é a hora de lutar por ele”, explicou Antonio Marcos.

Antonio Marcos também falou dos recursos captados no Governo Federal, através de uma assessoria específica, criada nesta gestão. “Temos em Brasília 74 milhões em projetos já aprovados, sendo que R$ 23 milhões serão liberados este ano”, afirmou o prefeito.

O prefeito aproveitou para fazer a prestação de contas do município que, em 2009, conseguiu fechar o ano com dinheiro em caixa mesmo com a queda de R$30 milhões na arrecadação de royalties. A prefeitura conseguiu fazer uma economia no orçamento de 58%, ao longo do ano passado. Em 2009 o município recebeu cerca de R$ 54 milhões em royalties contra cerca de R$ 84 milhões recebidos em 2008. “Essas conquistas só foram possíveis porque a equipe se dedicou muito. Estamos fazendo uma administração responsável e honrando o dinheiro do nosso povo”, destacou.

A Prefeitura de Casimiro de Abreu também tem R$ 100 milhões orçados em projetos, sendo que R$19 milhões já foram aprovados e R$ 80 milhões estão em tramitação. No decorrer da apresentação foram apresentadas as melhorias do governo no primeiro ano, em todas as áreas, como saúde, educação, obras e esportes.

ECONOMIA- Durante a reunião, os servidores acompanharam de perto onde foram gastos os recursos do município em 2009. Um dos pontos ressaltados foi a economia com combustíveis, se comparado ao ano de 2008. Em 2009, o governo poupou 987% em relação ao ano interior, valor suficiente para abastecer a frota municipal durante oito anos. A Prefeitura reduziu em R$ 19 milhões os gastos com combustível, telefonia, limpeza urbana e materiais de consumo e gastou R$ 2,5 milhões em pagamentos em multas e taxas não recolhidas na gestão anterior.

Crispim mostrou os gráficos e valores relacionados à folha de pagamento e às mudanças feitas pelo governo em 2009, em função de exigências do Ministério Público. “Durante o ano zeramos o número de contratados. Hoje, 75% do nosso quadro corresponde a funcionários efetivos. Estamos adequados à lei, ao contrário do que acontecia antes”, afirmou Crispim. Os servidores também tiveram dois abonos em 2009, somando R$700, que representou um ganho real de 4,52%.

O secretário de Fazenda, Rafael Copolillo, apresentou as perdas sofridas na arrecadação dos royalties, de 2008 para 2009, as possíveis perdas que o município pode ter caso aprovada a emenda Ibsen Pinheiro. No encontro ele esclareceu sobre a perda histórica que o Estado tem em relação ao petróleo. “Tivemos um ganho no governo, apesar da crise mundial e das perdas sofridas. A redivisão dos recursos dos royalties prejudicaria muito o nosso município e o nosso Estado, que se recebesse o ICMS do petróleo nem precisaria dos royalties”, disse Copolillo.
 
Enviado por Roberta Vitorino
Foto: Divulgação

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terça-feira, 2 de março de 2010

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Operação Irregular e Discriminatória Despeja Família Indígena em Niterói

- Secretário persegue indígenas e ameaça moradores, O Globo - Niterói publica apenas versão oficial -        


Na última quinta-feira, dia 25/02/2010, no loteamento Maravista, em Itaipu (Niterói - RJ), uma família de índios Tenetehara (Guajajara), formada por um Pajé, a esposa e sete crianças entre 2 e 14 anos, foi despejada na chuva, na lama, sem tempo suficiente sequer para recolher todos os seus pertences (a ação está gravada em vídeo).

Uma mega-operação foi formada – com representantes municipais da Secretaria de Obras, Meio Ambiente, Assistência Social, Conselho Tutelar, Fiscalização e Controle Urbano, além do apoio da Guarda Municipal e das Polícias Civil e Militar, somando mais de 50 agentes – para derrubar uma simples casa de barro e taboca (taquara); a ação foi comandada pessoalmente pelo Secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói, José Antonio Toro Fernandez (Zaff), que teve o seu deboche registrado em vídeo, além de haver alegado diante de dezenas de testemunhas (para justificar a operação) que: “Índio em Niterói só o Araribóia!”

O jornal O Globo – Niterói que tinha conhecimento total da operação, tendo sido prontamente avisado, além de ter ciência prévia da pressão municipal sobre a família indígena (e, pelo que tudo faz crer, sabia de véspera da ação do poder público a ser executada ali), não enviou nenhuma equipe ao local com a possível intenção de preservar a imagem do secretário Zaff – um político que certamente não quer ser visto pela opinião pública como racista nem algoz de crianças indígenas – ou, numa hipótese pior ainda, para não testemunhar possíveis truculências, em um caso flagrante de omissão profissional. Uma viatura da Polícia Civil estacionou na entrada do terreno e policiais desceram em direção da casa cerca de cinco ou dez minutos antes da chegada dos agentes municipais, mas ao verem uma câmera de vídeo retornaram ao carro (o que faz crer que, com a ausência de uma câmera para testemunhar, a ação poderia ter sido mais brutal).

Sob a justificativa de que se tratava de área de preservação ambiental, não houve notificação prévia do despejo, pegando todos de surpresa em um dia de muita chuva e lama. A casa, construída dentro de um loteamento reconhecido pela própria prefeitura (ver mapa em anexo), em terreno comprado com dinheiro próprio, foi derrubada logo em seguida, sem nenhuma chance de conversação.

Os agentes públicos já entraram na propriedade dizendo ao Pajé Shimon Tenetehara que arrumasse “suas coisas”, pois teria que sair imediatamente e “decidir logo” se iria com a família “para um abrigo ou de volta para o Maranhão”. Diziam ao Pajé, entre outras coisas, que sendo difícil arrumar matricula nos colégios públicos da cidade, os seus filhos “tomam as vagas de crianças de Niterói”.

Um dos agentes municipais que coordenavam a operação, subordinado direto de Zaff, mandou derrubar a construção imediatamente, se recusando a falar por celular com o advogado da família, Arão da Providência, da Comissão de Direitos Humanos da OAB, que se encontrava preso em um engarrafamento na Ponte Rio Niterói, se dirigindo para o local com a escritura do terreno e o mapa do loteamento. Alegaram que uma árvore havia sido cortada pelos indígenas, o que caracterizaria crime ambiental, mas registros em vídeo feitos no terreno antes mesmo da chegada da família Tenetehara (e durante todo o processo de construção da casa) provam que o local era um antigo campo de futebol tomado por um capinzal – não havendo árvores a serem cortadas.

Diante da alegação de que - exatamente defronte ao local aonde os agentes estacionaram as viaturas - há um casarão de dois andares com cerca de 20 árvores cortadas no terreno (os tocos escandalosamente aparentes) e que a 50 metros da humilde casa Tenetehara há uma mansão de três andares construída sobre a pedra (o que é ilícito ambiental previsto pelo Sistema Nacional Único de Conservação), habitada por norte-americanos, fica claro que a mega-operação da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói contra a habitação indígena se caracteriza como um nítido exemplo de perseguição e discriminação étnico-racial contra os índios brasileiros, os servidores municipais se calaram e seguiram no seu trabalho de coação e destruição.

Enquanto a casa era derrubada, membros do Conselho Tutelar afirmaram com cinismo terrorista que era preciso “levar as crianças”, pois estariam “expostos em situação de risco sob a chuva” (as crianças, todas matriculadas em escolas públicas da região, estavam bem, felizes e protegidas da chuva, sob o amparo e o aconchego familiar momentos antes da operação que derrubou o seu lar – como provam as imagens em vídeo). A tortura psicológica cruel e desnecessária - imposta por puro sadismo, como um tormento a mais - só cessou quando chegaram os parentes de Shimon Tenetehara que vivem no Rio de Janeiro, entre eles, um advogado.

A esposa do Pajé, Maria, que teve pertences destruídos, passou mal durante a operação, desmaiando e ficando caída no chão. Nenhum dos cerca de 50 servidores e representantes municipais, tão ciosos em aterrorizar a senhora, que sofre com a pressão alta, fez a mínima menção de socorrê-la ou de chamar uma ambulância – o que caracteriza omissão de socorro. As crianças choravam em desespero sob a indiferença das autoridades. Momentos antes, ela foi atingida por uma telha em suas costas ao tentar salvar alguns de seus pertences, pois os funcionários da prefeitura começaram o trabalho de demolição antes mesmo de que a família tivesse retirado tudo o que possuía.

Durante a ação, o taxista Marcos Miranda teve o seu direito de ir e vir cerceado por um policial civil que o mandou parar, sendo impedido de aproximar seu carro do terreno, mesmo tendo declarado que estava fazendo um trabalho para o advogado Arão da Providência – só podendo subir a rua com a operação finalizada. A via pública estava bloqueada por uma viatura da Guarda Municipal.

Agentes da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói já haviam estado no terreno na segunda-feira, dia 22/02, alegando que averiguavam uma denúncia de que haviam “cortado uma árvore” e expressaram a preocupação com a possibilidade do local se transformar em uma “favela indígena” (o que denota mais inquietação quanto aos danos na cotação da área no mercado imobiliário do que propriamente com a questão ambiental). No dia seguinte, representantes da família indígena foram à Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói e conversaram com os fiscais que lá estiveram e esses disseram que não havia processo administrativo nem flagrante ambiental, afirmando que nada fariam contra a família que se encontrava no local.

Na ocasião, os representantes Tenetehara – proprietários do terreno – manifestaram o interesse de apresentar ao secretário Zaff um Plano de Manejo Sustentável, projeto que daria destinação à propriedade, aprovado pelas populações tradicionais de Niterói e pelo Fórum Estadual Intersetorial “Voz aos Povos: Quilombolas, Assentados e Acampados Rurais, Indígenas e Pescadores Artesanais”, entre outros fóruns e conselhos. Ficou marcada uma reunião com o secretário Zaff para o dia 26/02, às 11 horas da manhã, o que indica que esse atropelo de agenda feito pela secretaria – em ação, marcada pela total ausência de contraditório e pelo desrespeito à dignidade humana, sobre uma área na qual não havia processo administrativo até o dia 23/02 – pode ser interpretada como fruto de decisão pessoal de José Antonio Toro Fernandez, o Zaff, que não quer saber de projeto de manejo sustentável, muito menos de famílias indígenas habitando em Niterói.

A atitude discriminatória e persecutória do titular da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos atingiu em cheio os moradores tradicionais da região foram ameaçados duramente, pelo secretário Zaff, de perder suas posses caso tentassem “ajudar os índios” – uma tática de coação, com as devidas proporções, semelhante à dos nazistas que puniam quem ajudasse os judeus. A caixa d’água que servia a uma família - moradora tradicional – que dava apoio e prestava solidariedade aos indígenas, foi retirada e levada para o Depósito Municipal. No dia 26/02, pela manhã, agentes municipais foram à casa de uma vizinha solidária, moradora tradicional, para retirar – debochando da situação - os pertences da família indígena que ela havia guardado e levaram para o Depósito Municipal.

O atual secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói - herdeiro da Expresso Barreto, uma das empresas de ônibus que mais desrespeitam o usuário no município - é bem conhecido pela sua ligação afetuosa com o mercado imobiliário. Quando vereador, Zaff não apenas demonstrou ser um ótimo amigo das empresas do ramo, como apresentou moção de congratulação à Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Niterói, a ADEMI, em 2007. Uma das realizações de Zaff quando edil foi a de conceder título de Cidadão Niteroiense ao seu bom camarada Stuessel Amora, um nome fortemente ligado à especulação imobiliária que promoveu campanha impiedosa e racista contra a presença de índios em Niterói em 2008, apresentando, inclusive – por meio da Soprecam, entidade da qual é eterno presidente -, uma liminar acatada pelo Juiz Luiz Clemente Pereira Filho, da Terceira Vara Federal, visando “impedir o aumento da população indígena em Camboinhas”.

Engana-se quem pensa que a gestão Jorge Roberto Silveira cometeu um equívoco ao escolher um personagem tão desvinculado ao ambientalismo quanto o vereador José Antonio Toro Fernandez para a pasta de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. O prefeito – cujo ato final de seu último governo foi a aprovação do PUR (Plano Urbanístico Regional), que passava por cima de toda legislação ambiental e de proteção ao patrimônio histórico, prevendo edificações sobre áreas de proteção ambiental e sobre sítios arqueológicos da cidade – paga ao jovem herdeiro do setor de transportes a sua fidelidade ao setor imobiliário.

A submissão do senhor Zaff ao poder econômico é premiada também pelos grandes meios de comunicação. No domingo seguinte à desocupação, o jornal O Globo – Niterói, que na véspera da operação de despejo havia feito uma longa entrevista com o Pajé Shimon Tenetehara (chefe da família expulsa) e constatado que não havia ali qualquer irregularidade, publicou (sem haver presenciado a operação) matéria tendenciosa contendo somente a versão do Secretário Zaff – sem nenhum momento expor o contraditório e, assim, apoiando uma acusação sem provas e sem qualquer chance de defesa.

O Globo, articulado aos poderes públicos, condenou – junto com o secretário Zaff - sem processo e sem decisão transitada em julgado.

Apesar de ter ouvido – e gravado – a versão do Pajé de que sua família só se alimenta de “comida de supermercado”, que o arco e a flecha são “artesanato para vender”, que a madeira de sua casa fora comprada em loja (com recibo) e que sua intenção é a de preservar a Mata Atlântica remanescente “para os netos”, O Globo – Niterói informa apenas a denúncia, feita a mando do secretário Zaff, de que haviam no local “cortes de árvores” e “mortandade de animais” – além de publicar um subtítulo afirmando que o antigo campo de futebol que a família Tenetehara ocupava com sua simples casa de taboca era uma “zona de conservação da vida silvestre”.

Na matéria, que usa o eufemismo “remover” para se referir à expulsão brutal de uma família com crianças pequenas sob a chuva e a destruição de sua casa, a justificativa da violência é feita pelo secretário Zaff: “eles estavam em péssimas condições” (o que denota preconceito com o modo tradicional de viver dos Tenetehara, que dormem em redes, não respeitando a sua especificidade cultural) e “não tinham licença da prefeitura para cortar árvores” (o que se resume a uma acusação – a de “cortar árvores” - sem provas e uma condenação sem qualquer procedimento legal).

Segundo o Pajé, ao se despedir, o repórter de O Globo – Niterói disse “amanhã vem um pessoal aí”, o que indígena e testemunhas interpretaram como mais uma visita da reportagem. No dia seguinte, a truculência derrubou um lar e colocou, sob a chuva, uma família inteira para fora de Maravista.

A ação covarde e racista promovida pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos no loteamento coalhado de placas de “vende-se” (não é segredo para o poder público municipal que o terreno ao lado da casa do Pajé está sendo vendido com o “habite-se” incluído, o que significará uma derrubada considerável de árvores), sob a alegação de se tratar de uma “área de proteção ambiental”, demonstra uma clara preocupação de que a área desvalorize com o possível surgimento de “uma favela indígena” - segundo a expressão cunhada por Stuessel Amora - e nenhuma preocupação com o meio ambiente em si.

O único crime que os Tenetehara desalojados em Maravista cometeram foi o de serem pobres – indígenas – e de construírem uma humilde casinha de taquara; o único “ilícito” cometido pelo Pajé Shimon Tenetehara foi o de ser indígena e ocupar – legalmente – uma área cobiçada pela especulação imobiliária.

A dor e a impotência do casal indígena e o terror experimentado pelas suas crianças ficarão gravados na carne. Dinheiro algum pagará por esse dano. Graças à imagem em movimento – e à invenção da câmera digital - esse terror ficará para sempre marcado na carreira política do senhor Zaff, junto ao seu desprezo pelas populações pobres e marginalizadas, o seu racismo, a sua desfaçatez, a sua total ausência de compaixão, a sua covardia. A especulação imobiliária, por meio de seus asseclas, tenta imprimir – a ferro e fogo – a imagem de que a Região Oceânica de Niterói não é “Terra de Índio” e, sim, uma subespécie de Mônaco tropical, cafona e exclusiva, destinada a novos burgueses e bem-nascidos. Mas a verdade incontestável de que o Brasil inteiro é – por direito ancestral – berço e morada legítima dos Povos Originários e de seus descendentes está viva em cada pedacinho de chão.

Foto: Blog da Alessandra Amato

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

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São Gonçalo realiza conferência de Cultura


Evento Capoeira SESC-SG - Foto: Joel Pires

Nos dias 29, 30 e 31 de outubro São Gonçalo estará realizando sua IV Conferência de Cultura, nas dependências da Faculdade de Formação de Professores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, cujo tema será: Cultura, Diversidade, Cidadania e Desenvolvimento.

Na ocasião, ao término da conferência, será realizada a eleição para o Conselho Municipal de Cultura, para um mandato de 2 anos.

Você que trabalha com cultura, que ama o que faz, que quer mudanças concretas na cultura de sua cidade, não pode ficar de fora.

Mobilize toda a comunidade e vá dar a sua contribuição.

Serviço:
IV CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE CULTURA
Local: Faculdade de Formação de Professores - UERJ
          Rua Dr. Francisco Portela, 1470
          Bairro: Paraíso
Data: 29 a 31 de outubro de 2009
Horários: 29/10 às 18 horas e 30 e 31/10 das 08 às 17 horas.

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